Luís e Cátia estudavam na mesma escola. Os dois conheciam-se de vista, mas nunca se tinham falado. Ela era uma rapariga bonita e popular, cujo único desejo era encontrar alguém que a avaliasse pela beleza do seu interior, e não pela sua aparência.
Ele era um rapaz pouco atraente, que o destino quis que fosse deficiente motor. Apesar da sua condição física debilitada, era totalmente independente em todas as suas acções. No fundo, as verdadeiras limitações do rapaz eram as que o preconceito e a sociedade lhe impunham diariamente. O seu único sonho era encontrar alguém que valorizasse as suas qualidades e o aceitasse com os seus defeitos.
Ela era um espirito livre e emancipado, com um coração de princesa. Ele era um rapaz afável e romântico, com o sonho secreto de encontrar o Amor.
Ela reparou nele. Ele reparou nela. Ela viu nele algo de misterioso e encantador, que lhe provocava a vontade de se aproximar. Ele, mais do que uma bela rapariga, viu nela um lado misterioso e carinhoso que aparentemente ninguém via. Também ele sentiu uma imensa vontade de se aproximar. Mas anos e anos de desgostos tinham-no tornado frio, cuidadoso e totalmente atrapalhado com as raparigas.
Também ela, cansada de ser valorizada apenas pelo seu aspecto, tinha-se tornado dura e fechada para com os rapazes. Ele decide aproximar-se dela. Ela decide aproximar-se dele. Aos poucos e poucos vão quebrando a frieza que os separa.
Ele começa a nutrir sentimentos por ela, mas acredita não ser digno dela, e por isso nada lhe diz. Ela começa a nutrir sentimentos por ele, mas nada lhe diz também. No fundo, amam e são amados sem saber. Aqui se conta como passaram de desconhecidos a amigos, e a forma como lidaram sozinhos e em segredo com os sentimentos, que não revelavam para não estragar a amizade, mas acima de tudo, pelo medo que tinham de afastar o outro.
Terão coragem para seguir em frente?
Encontrarão dentro de si a vontade para ultrapassarem os obstáculos criados pela sociedade?
Terão dentro de si força necessária para confessarem o que realmente sentem?
Talvez sim… Talvez não…