Ler António Maria Lisboa é acolher o caos hermenêutico em que consiste este sentimento de estar a ler magia. É, voluntária e amorosamente, deixarmo-nos enlaçar numa teia de aranha feita de rubis e borboletas noturnas e mares em que cada onda é um fragmento de outra e anões que confundem crime com homenagem e pássaros que vivendo na ditadura salazarista trocam o voo por uma existência de granito e mitos de um oriente budista-taoista-egípcio ensinando que também a poesia é um sonho de si mesma e caminhos tão ascendentes que só poderiam conduzir a estrelas.
É também, passado um momento inicial e iniciático de encantamento e perplexidade, desejarmos começar a destrinçar esta teia que nos envolve.