"Entre a interpretação e a criatividade move-se o pensamento de Amaral Dias, português e europeu, um homem da sua época e, tal como Freud, um crítico sempre atento ao que se passa à sua volta. Quem o conhece, conhece a sua convicção de que a psicanálise não habita apenas os consultórios e se deita no divã da vida psíquica. Ser contemporâneo de modo activo é, para ele, (um)a forma de ser cidadão. A contemporaneidade é uma relação singular com o próprio tempo, é saber aderir e manter a distância ao próprio tempo.(...)
Reúne-se aqui uma colectânea de nove textos, escritos em momentos diferentes, no espaço de três anos. Não se trata de um conjunto de textos esparsos, mas sim unidos por um nexo de pensamento: o pensamento psicanalítico de Carlos Amaral Dias que, utilizando as palavras de Steiner, «convida os outros para o significado»." (do prefácio)
Carlos Amaral Dias, contador de histórias, intérprete de si mesmo e dos outros, exerce há quarenta anos a profissão de psicanalista. Em Portugal, foi professor universitário em Coimbra, Lisboa e Porto. Autor de uma obra extensa, tem divulgado na comunicação social (jornais, rádio, televisão) a sua visão do mundo.
Clara Pracana, outra intérprete da vida, também ela psicanalista, seleccionou, organizou e prefaciou esta colecção de textos. Mulher de sete ofícios, iniciou em jovem a sua vida profissional como jornalista/economista, para nas últimas décadas se dedicar à psicanálise, como psicoterapeuta, investigadora e lecturer.
"O analista, para além da duvidosa e epistemologicamente discutível neutralidade benévola que dele se espera, deve sobretudo co-construir com o analisando um instrumento de navegação que, tal como o sextante, permita dar novos mundos ao mundo. Sem o sextante navega-se ao longo da costa, não se autoriza a viagem para o desconhecido."" (do último capítulo)"