Alimentar o corpo, saciar a alma é um convite a que nos sentemos à
mesa com os monges e participemos das suas refeições que
espreitemos para dentro da cozinha e comamos com os olhos o sabor
do pão fresco, da carne assada no espeto, do peixe frito em molho
de escabeche ou das covilhetes acabadas de sair do forno que
participemos do afã de cozinheiros, forneiros, despenseiros, bichos e
tantos outros ajudantes, que dia a dia vão amassando, esfolando,
sovando... que, na Cerca, observemos o crescimento dos legumes e
hortaliças, pautados pela dedicação e carinho que o hortelão lhes vai
dedicando. Por aqui, entre jardins, caminhos de buxo e fontes que
se vão construindo, existem os campos das hortas, do trigo, do
centeio, vários pomares com todas as fruteiras que podiam ter,
olivais, castanheiros e, espalhadas por todo lado, as latadas, uveiras
e vinhas que produzem ainda hoje o vinho verde.
Mas é também um convite à observação de homens que comiam para
alimentar o corpo, mas que não se podiam cingir apenas à sua
condição humana porque lhes era imposto pela Regra o alimento
constante da alma, numa purificação interior que os conduzisse,
escada acima, às virtudes da fé, da esperança e da caridade.