Em A arca dos Marechais, Marcos Rey cria uma narrativa tão surpreendente que prende a atenção do leitor do começo ao fim. A história é contada por Emerich. Ele trabalhava em um Aquário Público e contava os minutos para poder se livrar daquelas visitas escolares, que, na sua opinião, pouco ou nada valiam para as crianças. Sua vida mudou radicalmente quando herdou de seu tio Erich uma máquina de fazer dinheiro.Armazenou em uma mala notas de cinco mil cruzeiros que traziam estampados a foto do Marechal Castelo Branco, um dos presidentes militares do Brasil. Com uma enorme quantia em mãos, passou a viver de hotel em hotel, de cidade em cidade. Adquiriu nomes falsos, inventou mentiras sobre a profissão, lugar de origem tudo para preservar seu crime e sua identidade. Eu chegava cedo e era o último a sair do piano-bar. Várias noites fui o único freguês. A música agradava-me, mas o melhor era o escuro. Lá - uma sombra sobre o fundo preto - nem eu sabia se me chamava Emerich, Régis, ou Olavo.